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Avatar de Paulo Marquêz

Oi, Pedro.

Li seu texto com atenção e já digo que concordo com o ponto central da sua análise. A reação ao uso de IA, por parte [ou quase toda] dos leitores/assinantes não é só sobre a “qualidade do texto”. No meu entendimento, a reação está em algo mais profundo, que envolve o que você ordenou de uma forma bem didática: processo, pacto com o leitor, confiança e responsabilidade. É aí que eu me encanto com quem ajuda a colocar esse debate no lugar certo. 😊

No meu caso, por exemplo, as ideias partem da cabeça aqui do humano, que nascem das minhas leituras, trajetória e das questões que venho pensando há algum tempo [em especial, sobre narrativas urbanas, sobre como viver numa cidade que deveria ser para todos e por aí vai]. A IA me ajuda a organizar melhor o raciocínio ou a deixar a escrita mais clara e fluida, mas não substitui o processo de reflexão. Para mim, ela funciona como apoio técnico, não como delegação de pensamento.

Por isso, acredito que o pacto que você descreve permanece. A mente que pensa, assina e se responsabiliza por todo o processo é humana. A tecnologia colabora na forma; o conteúdo, a intenção e o compromisso continuam sendo nossos. 😊

Pra quem não percebeu [e eu espero que percebam], você ajudou [e muito] a “iluminar” o que está em jogo. E é nesse espaço por aqui [e por outros] que mais conversas boas, como essa, continuem.

Avatar de Bruno Anastacio

1) Credibilidade: está estabelecido que um artigo de opinião seja, de fato, a opinião do autor. E isso inclui cada palavra, cada escolha, cada decisão em utilizar ou não este ou aquele adjetivo ou advérbio. É um trabalho, por assim dizer, artístico. Um computador "opinando" qual adjetivo deve ser utilizado para expressar a opinião do autor de uma trigo opinativo é uma fraude e, sinceramente, acho difícil pensar diferente disso

2) Ameaça: tem todo um mercado de autores com medo de que, se uma API conectada sei lá onde pode fazer seu trabalho, inclusive o opinativo e artístico, então estes devem ficar desempregados. Simples.

3) Muitos, inclusive aqui no Substack, que demonizam a IA, com certeza a usam em algum nível, seja pesquisando, seja produzindo textos. Apesar dos possíveis rastros que uma IA deixa num texto, não dá pra inferir com certeza o quanto deste texto que eu escrevi (ou desse texto que você escreveu) foi criado por uma IA.

4) Olhando para os fatores econômicos disso: muita empresa, inclusive de comunicação, está forçando uso de IA por causa da esperança de que, em algum momento, o fator humano poderá ser retirado do processo, e assim, adeus salários, direitos trabalhistas, propriedade intelectual. Mas, será mesmo? Será que quando essas empresas saírem da fase de startup e tiverem que dar lucro, IA vai continuar tão barata? (Vide década passada, quando compra vamos iFood a 15 conto e andávamos de Uber a 5). Será mesmo que, em algum momento, as bigtechs não vão cobrar pela propriedade intelectual do material que, no fim, são elas quem produz? Nos sabemos a fome que essas empresas tem por dinheiro. Quem usava a internet nos anos 2000 viu o "almoço grátis" acabar diante dos seus olhos. Por que estamos acreditando que a IA sempre será uma solução de baixo custo? (Isso sem contar as questões ambientais, como uso de água e energia, que além do desastre climático, tendem a ancorar os preços cada vez mais pra cima).

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